No mundo do prowrestling, há algumas idéias que representam o senso-comum dos fãs em relação à programação das federações. "John Cena é um péssimo lutador e só sobrevive no topo por conta das suas habilidades no microfone.", "Triple H não teria conseguido chegar aos 13 títulos mundiais se não fosse casado com Stephanie McMahon." etc. Porém, em determinadas ocasiões, a unanimidade é, de fato, burra e acaba sendo contrariada.
Foi em abril de 2011 que Mark Henry fez seu heel turn em cima de John Cena, durante o Draft deste ano. Lembro que, na ocasião, escrevi que "com o booking correto, Henry pode dominar o SmackDown! como heel, substituindo Alberto Del Rio." E, de fato, a esperança era de que Henry fosse o maior desafiante de Randy Orton pelo cinturão mundial, afinal, Christian havia sido transformado em uma solução-tampão para a aposentadoria inesperada de Edge.
Todavia, quando o push de Mark começou, da mesma forma como os grandes pushes que ele já havia recebido no passado, inclusive no próprio SD!, a desconfiança do público foi imediata. Com justiça, já que Henry já tinha recebido suas oportunidades no passado e, com combates ruins e uma interpretação pouco carismática, tinha fracassado em todas. O que faria com que a oportunidade fosse aproveitada, dessa vez? Por que o World's Strongest Man conseguiria ser dominante depois de mais de uma década na WWE?
O tempo foi passando e Henry progredindo no card. Conseguiu sair vitorioso de uma rivalidade com Big Show, em que chegou a lesionar, em kayfabe, o gigante depois de um combate no Money in the Bank. Foi a partir daí que surgiu a idéia do Hall of Pain, sendo desenvolvida com ataques a Kane e a Great Khali, ambos ainda fora da programação da WWE. O personagem de Mark foi evoluindo e os combates em que participava melhorando de nível, principalmente pela sua nova agilidade (pelo menos comparada com o passado).
Esse ponto merece uma observação especial. O condicionamento físico de Henry melhorou bastante nos últimos meses. Ele já falou sobre o assunto em uma entrevista para o WWE.com, mas basta olhar vídeo antigos do lutador para perceber a diferença. Tanto em termos pessoais, afinal, o excesso de peso pode gerar problemas de saúde seriíssimos, como em termos profissionais, como vimos com a melhora de desempenho nos ringues, a transformação é uma conquista maravilhosa por parte de Mark.
Dentro do SmackDown!, só faltava mais um grande adversário para Mark Henry derrotar - e esse era o campeão mundial, Randy Orton. Como se sabe, nos últimos dois anos, Orton tem se tornado o homem mais promovido da WWE dentro de sua programação - raramente perde limpo, tendo um saldo de vitórias irreal. Dar uma vitória limpa para Henry, como aconteceu no Night of Champions, é uma explosão de credibilidade para o personagem.
Ali, começou o reinado de Henry, que é o ponto principal desse texto: em menos de dois meses, já podemos dizer que o atual campeão mundial está fazendo um trabalho ótimo com o cinturão. Não que Randy Orton não estivesse fazendo, já que mesmo com a figura quase irretocável em termos de vitórias, vinha promovendo grandes combates e uma storyline muito interessante com Christian. Entretanto, Mark nos surpreendeu com muito entretenimento nesses últimos meses.
Posso citar como um dos grandes momentos desse final de ano o retorno de Big Show, inclusive, que veio extremamente aplaudido pelo público; isso já é resultado do trabalho de Mark em se tornar um heel muito odiado, algo que Alberto Del Rio, por exemplo, ainda precisa trabalhar muito para conquistar. O combate de Henry com Big Show no último evento da WWE, o Vengeance, foi um dos melhores da noite, com um final muito divertido e que abriu diversas possibilidades para a continuidade do programa.
Em suma, Mark Henry está conseguindo quebrar a imagem de mau lutador que acabou adquirindo ao longo dos últimos anos. A agilidade renovada, junto com o trabalho de construção de seu personagem e os adversários apropriados estão fazendo com que Henry seja, sim, um lutador importante para a empresa. É óbvio, no entanto, que a longo prazo, Mark deve ceder seu lugar no main-event para lutadores mais jovens, como Bryan Danielson e Cody Rhodes. No entanto, deixá-lo valorizado nesse momento é ter em quem confiar para colocar os novos nomes acima no roster.
O trabalho que a WWE vem fazendo com Mark Henry pode ser comparado ao trabalho feito com Kane há alguns anos. Uma última grande valorização para que, à medida que o tempo passasse, novos lutadores tomassem seu lugar. Naquela ocasião, Kane deveria ter passado o bastão para Wade Barrett ou mesmo Dolph Ziggler, mas a empresa decidiu deixar com Edge a tarefa de deixar o segundo lutador em alta.
Minha esperança é de que a rivalidade entre Show e Henry dure mais alguns meses e que, depois, o cinturão mundial vá parar nas mãos de um novo lutador que consiga rivalizar com Mark de igual para igual, se transformando em um grande nome do SmackDown!. É sonhar demais? Talvez. Mas nunca é tarde para ver algumas cabeças sendo chutadas, se é que me entendem...

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