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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A "Wolfe" Story


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Em 2009, a WWE e Nigel McGuinness, um dos grandes nomes da Ring of Honor, chegaram a um acordo para a contratação do antigo campeão das federações independentes. O seu ingresso na empresa estaria condicionado ao cumprimento das datas independentes já marcadas de Nigel e aos exames médicos aos quais este seria submetido. Naquela época, a internet explodiu em felicidade, afinal, sempre foi um desejo dos fãs ver McGuiness e seu parceiro de ROH, Bryan Danielson, juntos na programação da WWE.

Algumas semanas se passaram e nenhum acordo foi oficialmente firmado, o que gerou desconfiança por parte do público. Finalmente, foi anunciado que o contrato de Nigel com a maior federação de prowrestling do mundo não seria finalizado. O motivo era uma falha em um dos testes feitos pela empresa que impedia Nigel de trabalhar ali. O erro nunca foi divulgado, por uma política de privacidade mantida pela WWE, mas muitas especulações surgiram à altura.

Como a liberação de Nigel pela Ring of Honor já havia sido feita, a Total Nonstop Action aproveitou a situação para realizar a contratação do britânico. Sem ter uma política médica forte (o que já gerou diversos problemas para a federação), a TNA aceitou as falhas de McGuinness e o promoveu como uma das grandes contratações do ano. Tanto é verdade que este estreou, sob a alcunha de Desmond Wolfe, em uma storyline contra Kurt Angle, o grande nome da federação.

O tempo foi passando e Wolfe, apesar do grande impulso inicial, acabou perdendo força na programação. Nesse período, AJ Styles se tornou a figura principal da empresa, com o apoio de Ric Flair, que acabara de estrear. Desmond chegou até a participar de uma facção de Flair, escancaradamente inspirada na Four Housemen, chamada Fortune. Mesmo assim, o momentum de Wolfe parecia estar perdido e ele acabou saindo da stable para formar a London Brawling com Brutus Magnus.

O grande ponto está aí. Pouco tempo depois de formar a nova dupla, Nigel acabou saindo da programação e passando quase um ano sem aparecer na TNA. Durante esse período, vários fãs perguntavam o que estava acontecendo com o ex-campeão mundial da Ring of Honor, e a empresa sempre deixou claro que eram questões médicas pessoais. Hulk Hogan chegou a comentar:
A situação de Desmond é totalmente além do controle da TNA. A bola está totalmente nas mãos dele.
Em maio de 2011, Wolfe fez seu retorno no Xplosion, um programa promovido pela TNA fora do continente americano. Sua participação, no entanto, durou pouco tempo e ele foi demitido pela empresa. Três meses depois, a ROH anunciou que McGuiness retornaria à empresa no papel de color commentator para o novo programa da empresa, no Sinclair Broadcasting Group. Logo após chegar, Nigel se envolveu em um segmento no qual defendia Eddie Edwards da House of Truth, embora o angle não tenha se tornado um confronto de fato.


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Em suma, foram 14 meses fora dos ringues, em uma ausência ccompletamente inexplicada, que alimentou diversos boatos. Além disso, pelo passado de Nigel com o problema médico na WWE e até o histórico de lesões que sustentava durante sua primeira passagem na ROH, a carreira do britânico parecia acabada. Todavia, nas últimas semanas, uma surpresa apareceu a todos: algumas federações independentes começaram a lançar anúncios de combates de McGuinness, no que está sendo chamado de “Nigel McGuinness Retirement Tour”.

O que deveria ser uma alegria pelo fato de que Nigel está voltando aos ringues se transforma em um misto de desconfiança e de medo. O que havia de errado em seu exame na WWE que a TNA ignorou? Por que McGuinness passou tanto tempo fora dos ringues? O que o faz poder lutar uma série de combates com plena segurança e o impede de continuar a carreira, ainda mais em um momento de envolvimento com a House of Truth na programação da Ring of Honor?

A postura de McGuiness em relação a essa situação é de resguardo à privacidade que se fez característica durante sua carreira. E, nesse tipo de caso, não dá para criticar o posicionamento do lutador. Cada profissional tem sua maneira de encarar os problemas médicos ou pessoais e, no fim das contas, não há uma atitude indiscutivelmente correta.


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Abrir suas questões médicas para o mundo, por exemplo, foi uma decisão tomada por “Dr. Death” Steve Williams, morto há dois anos. Sua batalha contra o câncer chegou a ser narrada em um livro, além de diversos eventos que foram feitos para ajudá-lo nessa questão.

Quem também optou por abrir o jogo sobre seus problemas pessoais foi Scott Hall, um dos maiores nomes da história do wrestling. Apesar de todo o seu talento, é sabido que Hall estragou suas oportunidades pelos vícios e gastos exacerbados. Recentemente, a ESPN produziu um programa que falava sobre as dificuldades enfrentadas pela família de Scott. A produção chocou muitas pessoas, afinal, há amigos do Bad Guy que admitem não ter mais esperanças sobre ele.

No caminho contrário, podemos falar de Sting. Por muito tempo, The Icon foi considerado um dos nomes mais sensatos da WCW e parecia não ter seu nome envolvido com grandes problemas. Contudo, em 2004, o lutador resolveu mostrar em um documentário sobre sua carreira, chamado Moment of Truth, que tudo não passava de uma coberta à sua real situação. Sting teve problemas com álcool e com remédios usados durante sua estadia na WCW. Passou por tudo calado.

Quem se esforça para esconder seus problemas, também, é Ric Flair. Dono de um dos maiores legados da história do prowrestling, Flair é também uma das maiores vítimas da modalidade. Por mais que tente evitar tocar no assunto, suas dívidas vieram à tona recentemente, em uma reportagem feita pela ESPN. Pelo que foi apurado pela gigante norte-americana, Ric passa por um colapso mental e financeiro, o qual não quer admitir.

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Como dito anteriormente, a decisão de informar a todos o que está acontecendo é única e exclusiva de Nigel McGuiness. Há exemplos, como os que foram mostrados, tanto de pessoas que resolvem mostrar o que passam como de pessoas que resguardam (ou pelo menos tentam) sua privacidade. Entretanto, Nigel precisará lidar com duas situações preocupantes.

Em primeiro lugar, McGuinness vai precisar conviver, enquanto manter suas questões médicas em segredo, com os boatos criados na imprensa estadunidense. Sites especializados em prowrestling já divulgaram notas falando desde Hepatite C até a própria SIDA como causas para que a lenda independente tenha se afastado dos ringues. Em ambos os casos, são doenças graves e que, em caso de retorno aos ringues, podem colocar em risco a vida dos adversários de McGuinness.

É justamente esse ponto, então, que cai como gancho imediato, a segunda preocupação de Nigel. Será mesmo que ele está preparado para voltar aos ringues? Se estiver fisicamente preparado, o britânico ainda terá que assumir a responsabilidade de levar riscos sérios, dependendo do mal que sofrer, a quem pisar no ringue com ele.

Pelo que tem sido publicado, o retorno de McGuiness acontecerá em pequenas federações. Estas, na maioria dos casos, não pensam muito na segurança dos atletas para marcarem um evento. Basta a garantia de um público mediano (algo que o nome do britânico pode superar facilmente) e eles vão aceitar quaisquer circunstâncias para garantir o funcionamento da federação por mais umt empo. Portanto, dar segurança para os seus adversários é uma decisão que parte muito mais de Nigel do que das federações em que ele vai lutar.


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Se tudo correr bem e na maior segurança, serei um dos primeiros a comemorar o retorno, mesmo que seja para uma última tourneé, de Nigel McGuinness aos ringues das federações independentes. Porém, sem notícias, sem segurança, sem conhecimento algum sobre a real situação de Nigel, eu não consigo ter alegria em vê-lo retornar. Não, ao menos, pelo olhar de alguém que preza pela saúde das pessoas, muito em função de estar envolvido na área.

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Coluna compartilhada com o Wrestlemaníacos.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Hall of Pain e suas surpresas

No mundo do prowrestling, há algumas idéias que representam o senso-comum dos fãs em relação à programação das federações. "John Cena é um péssimo lutador e só sobrevive no topo por conta das suas habilidades no microfone.", "Triple H não teria conseguido chegar aos 13 títulos mundiais se não fosse casado com Stephanie McMahon." etc. Porém, em determinadas ocasiões, a unanimidade é, de fato, burra e acaba sendo contrariada.

Foi em abril de 2011 que Mark Henry fez seu heel turn em cima de John Cena, durante o Draft deste ano. Lembro que, na ocasião, escrevi que "com o booking correto, Henry pode dominar o SmackDown! como heel, substituindo Alberto Del Rio." E, de fato, a esperança era de que Henry fosse o maior desafiante de Randy Orton pelo cinturão mundial, afinal, Christian havia sido transformado em uma solução-tampão para a aposentadoria inesperada de Edge.

Todavia, quando o push de Mark começou, da mesma forma como os grandes pushes que ele já havia recebido no passado, inclusive no próprio SD!, a desconfiança do público foi imediata. Com justiça, já que Henry já tinha recebido suas oportunidades no passado e, com combates ruins e uma interpretação pouco carismática, tinha fracassado em todas. O que faria com que a oportunidade fosse aproveitada, dessa vez? Por que o World's Strongest Man  conseguiria ser dominante depois de mais de uma década na WWE?

O tempo foi passando e Henry progredindo no card. Conseguiu sair vitorioso de uma rivalidade com Big Show, em que chegou a lesionar, em kayfabe, o gigante depois de um combate no Money in the Bank. Foi a partir daí que surgiu a idéia do Hall of Pain, sendo desenvolvida com ataques a Kane e a Great Khali, ambos ainda fora da programação da WWE. O personagem de Mark foi evoluindo e os combates em que participava melhorando de nível, principalmente pela sua nova agilidade (pelo menos comparada com o passado). 

Esse ponto merece uma observação especial. O condicionamento físico de Henry melhorou bastante nos últimos meses. Ele já falou sobre o assunto em uma entrevista para o WWE.com, mas basta olhar vídeo antigos do lutador para perceber a diferença. Tanto em termos pessoais, afinal, o excesso de peso pode gerar problemas de saúde seriíssimos, como em termos profissionais, como vimos com a melhora de desempenho nos ringues, a transformação é uma conquista maravilhosa por parte de Mark.

Dentro do SmackDown!, só faltava mais um grande adversário para Mark Henry derrotar - e esse era o campeão mundial, Randy Orton. Como se sabe, nos últimos dois anos, Orton tem se tornado o homem mais promovido da WWE dentro de sua programação - raramente perde limpo, tendo um saldo de vitórias irreal. Dar uma vitória limpa para Henry, como aconteceu no Night of Champions, é uma explosão de credibilidade para o personagem.

Ali, começou o reinado de Henry, que é o ponto principal desse texto: em menos de dois meses, já podemos dizer que o atual campeão mundial está fazendo um trabalho ótimo com o cinturão. Não que Randy Orton não estivesse fazendo, já que mesmo com a figura quase irretocável em termos de vitórias, vinha promovendo grandes combates e uma storyline muito interessante com Christian. Entretanto, Mark nos surpreendeu com muito entretenimento nesses últimos meses.

Posso citar como um dos grandes momentos desse final de ano o retorno de Big Show, inclusive, que veio extremamente aplaudido pelo público; isso já é resultado do trabalho de Mark em se tornar um heel muito odiado, algo que Alberto Del Rio, por exemplo, ainda precisa trabalhar muito para conquistar. O combate de Henry com Big Show no último evento da WWE, o Vengeance, foi um dos melhores da noite, com um final muito divertido e que abriu diversas possibilidades para a continuidade do programa.

Em suma, Mark Henry está conseguindo quebrar a imagem de mau lutador que acabou adquirindo ao longo dos últimos anos. A agilidade renovada, junto com o trabalho de construção de seu personagem e os adversários apropriados estão fazendo com que Henry seja, sim, um lutador importante para a empresa. É óbvio, no entanto, que a longo prazo, Mark deve ceder seu lugar no main-event para lutadores mais jovens, como Bryan Danielson e Cody Rhodes. No entanto, deixá-lo valorizado nesse momento é ter em quem confiar para colocar os novos nomes acima no roster.

O trabalho que a WWE vem fazendo com Mark Henry pode ser comparado ao trabalho feito com Kane há alguns anos. Uma última grande valorização para que, à medida que o tempo passasse, novos lutadores tomassem seu lugar. Naquela ocasião, Kane deveria ter passado o bastão para Wade Barrett ou mesmo Dolph Ziggler, mas a empresa decidiu deixar com Edge a tarefa de deixar o segundo lutador em alta.

Minha esperança é de que a rivalidade entre Show e Henry dure mais alguns meses e que, depois, o cinturão mundial vá parar nas mãos de um novo lutador que consiga rivalizar com Mark de igual para igual, se transformando em um grande nome do SmackDown!. É sonhar demais? Talvez. Mas nunca é tarde para ver algumas cabeças sendo chutadas, se é que me entendem... 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

The Voice of the Voiceless

De tempos em tempos, prestigiamos acontecimentos que mudam o curso da história. Neste ano de 2011, por exemplo, teremos dez anos completos da derrubada das duas torres do World Trade Center, maior edifício de Nova Iorque e um dos símbolos do prestígio da cidade. A partir daquele momento, que todos lembramos perfeitamente, iniciou uma nova ordem mundial; a ordem da guerra ao terror, da nova corrida armamentista e da manuntenção de prisões americanas como as de Guantanamo Bay e Abu Ghraib.

Com o prowrestling, não é muito diferente. Alguns acontecimentos conseguem superar a barreira do tempo e marcar épocas na indústria. O que falar do Austin 3:16 ou do Montreal Screwjob? O que falar da vitória de Hulk Hogan sobre Andre The Giant na WM 3 ou do infame Fingerpoke of Doom? Todos estes acontecimentos, para bem ou para mal, são daqueles que qualquer fã da modalidade deve conhecer. Todos estes conseguiram vencer a prova do tempo e se transformar em clássicos. Todos os seus participantes, por sinal, são marcados pelos mesmos. São os marcos de seus tempos...

Há algumas semanas, CM Punk promoveu um destes momentos. Vestindo uma camiseta de “Stone Cold” Steve Austin e com poucas semanas de contrato restantes, conseguiu colocar no ar por 6 minutos os anseios e as críticas vindas de todos os tipos de fãs ao longo dos últimos anos. Conseguiu fazer comentários duros e precisos quanto à situação da federação, deixando todos assustados com sua coragem. Como disse duas semanas depois, Punk virou “The Voice of the Voiceless”, mas antes de tudo, a voz de uma geração que esperou muito para esse momento chegar.

Se naquele momento alguém tivesse me perguntado se a WWE mudaria completamente a partir dali, eu diria que não. Mesmo considerando o momento um clássico, achava que este ia beneficiar muito mais ao próprio Punk do que à indústria completa. Talvez por isso, demorei tanto tempo para poder escrever sobre o que aconteceu. E não digo isso querendo menosprezar o trabalho da empresa nesta storyline; muito pelo contrário, engrandeço-o. O problema é que acreditava que a PG Era havia sido um esforço muito grande para ser transformado do dia para a noite.

Todavia, a noite de ontem chegou, acabando com a expectativa de dimensões épicas. Ao lado de sua casa, em Rosemont, Illinois, e em sua última noite pela empresa, CM Punk teria a missão de enfrentar John Cena pelo WWE Championship, o título mais importante da indústria. Com todo o suporte dos fãs de Illinois, esta seria a noite de transformar a carreira do Straight Edge Superstar. Ontem, aliás, foi um daqueles dias em que a realidade se confunde com a encenação e milhões de fãs se desesperam por um simples combate; a impressão que tive quando o combate começou é de que víamos a renovação batalhando para suprimir o comodismo instalado na indústria.

Nesse clima de ansiedade e de dúvida, brilharam as estrelas de CM Punk e John Cena. Desde o início do combate, Punk se comportou como o babyface e deixou para Cena o "pacing", fazendo as holds e cadenciando um combate que é candidato a Five Stars Match. Sim, o mesmo John Cena que erra golpes atrás de golpes, que se tornou, nos últimos anos, uma figura extremamente entediante dentro dos ringues e que é odiado por grande parte dos fãs do “pure wrestling”. Na noite de ontem, Cena conseguiu participar de um dos melhores combates da história da indústria em todos os aspectos possíveis. Então, a César o que é de César; John foi brilhante.

No fim, a renovação venceu e a platéia explodiu em mais um momento a ser lembrado pelos próximos anos. O anseio popular venceu e este fã que vos escreve teve que engolir suas próprias palavras sobre a não-transformação da indústria. Não, a WWE nunca mais será a mesma depois do que aconteceu na Allstate Arena. É óbvio que o produto não se transformará completamente da noite para o dia, mas estamos vendo o nascer de uma nova era na empresa. Muito provavelmente, continuaremos com os ideais da PG Era, mas vendo estes associados a um produto que procura mais o limite, que busca o realismo e a intensidade que víamos durante a Attitude Era.

Não é meu papel dizer se a WWE vai alcançar os níveis de programação do ápice da Attitude Era ou se vai fracassar como nos anos de 2007 e 2008. O que eu posso dizer é que a empresa fez um ótimo trabalho em transformar Punk em ícone para parte do público. Se as crianças adoram Cena, agora, os antigos fãs adorarão CM Punk. É uma jogada brilhante, ainda mais quando se percebe que o grande perdedor da história é The Rock, que jurou amores pela modalidade e que sumiu depois de alguns meses...

Aliás, a noite de ontem também foi a noite de Christian Cage e de Bryan Danielson. Dois nomes que são amados pelos fãs de todo o mundo e que provaram em outras federações a enorme capacidade que têm para esse negócio. Este conseguiu uma grande oportunidade para elevar sua carreira, garantindo uma tentativa de conquistar um título mundial durante o próximo ano; aquele chegou ao seu segundo título mundial no maior palco de todos e pode finalmente se consolidar como um grande nome da federação.

Há quanto tempo pedíamos isso? Há quanto tempo esperávamos por uma oportunidade para esses três lutadores? Sinto muito em ver que Punk recebeu sua grande chance no momento de sua saída (ou não), mas fico feliz em saber que ele está abrindo portas. Talvez, daqui a pouco tempo ele esteja de volta, lutando, chutando cabeças e conquistando cinturões. Espero que isso ocorra e que ele possa ser o grande nome da era que está surgindo, mas se ele não voltar, já teremos visto muito vindo da empresa dos “sports-entertainment”.

Quem estiver lendo este texto talvez pense que eu estou me contradizendo em alguns pontos ou que estou pensando alto demais, mas este é o meu papel, meu caro. Sou um fã que quer o melhor para a indústria e minha felicidade com o que vem acontecendo é grande demais para querer analisar tudo minuciosamente. O que eu vou fazer e aconselho a todos que façam é aproveitar o que estamos vendo. Isto é a história! Um dia estaremos contando aos nossos filhos tudo que vimos nessas semanas e não devemos estragar isso com criticismo inadequado.

sábado, 23 de abril de 2011

A Tale of Blood

Há alguns anos, Mick Foley lançou um de seus mais importantes livros, Have a Nice Day: A Tale of Blood and Sweatsocks, que falava sobre sua carreira no prowrestling e todo seu envolvimento com as federações em que tinha passado.

Foley é considerado um dos maiores ícones do prowrestling. Sem o talento fora do comum ou a forma física de alguns dos superstars que vemos hoje, Mick sempre foi uma exceção ao negócio. Gordo, velho e meio maluco, sem eufemismos. Mas, diferentes de seus colegas, o futuro “Hardcore Legend” tinha puro amor pela modalidade, estando disposto a sacrificar seu próprio corpo para fazer parte daquilo que sonhara para sua vida.

Tendo passado pelas quatro grandes federações de nosso tempo, Foley enfrentou os melhores; ele venceu os melhores. Protagonizou momentos históricos, participou de combates memoráveis e fez das melhores promos que já vimos. Seus três grandes personagens na carreira foram tão diversos e geniais em suas peculiaridades que a maioria esmagadora dos fãs tem pelo menos uma grande lembrança com cada um deles.

Contra tudo e contra todos, em um ramo que se torna cada vez mais voltado para o banal, ignorando o comprometimento e a paixão pelos ringues, Foley conseguiu se destacar. “Bang, bang!”, ele diria. Mas ao nomear uma de suas obras mais importantes, Mick define sua trajetória como um conto de sangue.

Se você, meu amigo, acha que o “conto de sangue” de Foley está nas Death, Hardcore, Steel Cage Matches em que esteve, se engana. O “conto de sangue” de Foley está no comprometimento, na paixão, na seriedade com que ele leva cada momento em que está na frente das câmeras. É óbvio que a lenda construída ao seu redor se vale do sangue que escorreu muitas vezes em sua face; mas não é apenas isso.

A Tale of Blood nasce como um desejo de dois fãs (quiçá seremos mais no futuro) para que o prowrestling volte aos seus dias de glória. É utópico, sim, é irreal, sim; mas é sincero como cada momento que Foley passou em sua carreira. Não esperem textos bem elaborados, notícias pontuais ou downloads imperdíveis. Estamos aqui para jogar nossos pensamentos a respeito deste mundo.

Podemos aparecer com independentes, mainstream ou mesmo com o passado; não temos horários; somos apenas fãs desejando algo melhor para o prowrestling e esperando que este espaço sirva para uma reflexão sobre a situação atual da luta.